Bilhete Carregado ou salto mortal por cima da cancela: Os 800 Gondomar estão de volta
O metro passa, as portas abrem-se, mas nem todos entram com a mesma tranquilidade. Há quem transporte a vida inteira com um passe vitalício garantido no bolso; e há quem viva numa constante ginástica mental para escapar à fiscalização. Os 800 Gondomar dominam esta geografia como ninguém. É precisamente desse atrito das solas no piso da estação que nasce «Picas no Metro», o segundo tema de avanço para o novo longa-duração da banda, «AUTO-STRESS» (com edição agendada para 26 de novembro e já em pré-venda.
Esqueçam a simples peripécia de quem anda a monte nos transportes. O grupo transforma a esquiva aos picas numa radiografia sem anestesia sobre o controlo social dos nossos dias. Hoje, o sistema pede-nos bilhete para tudo: exige-se comprovativo de produtividade, certidão de sucesso e visto de felicidade permanente. O imperativo é cumprir o figurino, mesmo quando a conta bancária bate no fundo a meio do mês e o conceito de "lar" não passa de um conjunto de fotografias tratadas num site de imobiliário.
Enquanto a cidade troca a alma dos paralelos pelo cinzento impessoal do alcatrão, a população local assiste à erosão das suas próprias memórias. As casas perdem a intimidade, as vidas ficam sem teto e a mobilidade social parece ter ficado presa entre andares. O elevador avariou, mas a fatura do condomínio continua a cair no correio de quem vive no rés do chão, com o conselho cínico de que usem as escadas e agradeçam o exercício.
É na fresta entre a expetativa e a sobrevivência que os 800 Gondomar acendem o pavio. O punk da banda não é pose; é a resposta visceral de quem percebeu que jogar pelas regras já não garante lugar à mesa. Em «Picas no Metro», a lendária "ratice" suburbana deixa de ser um defeito para se tornar um kit de primeiros socorros.
Entre retratos digitais imaculados, burlões com verniz e uma multidão de exaustos analógicos, o disco recusa a apatia total. Há espaço para a solidariedade orgânica, para canções que circulam em segredo e para gestos simples de quem prefere estender a mão a ter de subir a pulso sozinho.
A contagem decrescente para 26 de novembro já começou. A tensão acumulada encontrou o seu ritmo e a raiva dos 800 Gondomar ganhou direção. «Picas no Metro» já está em escuta ativa em todas as plataformas, ajustem o volume, porque a viagem vai ser aos solavancos.
Créditos de "Picas de Metro"
Composição: Alô, Rui Fonseca, Luís Barreto, Frederico Ferreira
Voz e baixo: Luís Barreto
Voz e bateria: Rui Fonseca
Voz e guitarra: Alô
Produção: Pedro Jimmy Feio, 800 Gondomar
Gravação, mistura, masterização: Pedro Jimmy Feio












