No dia 14 de fevereiro, enquanto
o mundo se perde em corações e clichés românticos, o Porto vai sentir a música de uma forma diferente: a Chinfrim – Laboratório de Colisões Sonoras
ocupa o OPPIA, no Bonfim, para a
sua segunda edição, em formato matiné. Mais do que um concerto, a Chinfrim é um
ato de resistência cultural: desafia a monotonia das salas tradicionais e
reivindica o dia como território de liberdade sonora, provando que ainda há
espaço para o ruído e para a intensidade.
A
iniciativa nasceu do encontro de duas amigas e operárias da cultura, Mia Nieves (comunicação, produção e
booking) e Francisca Sousa
(artista plástica, música e promotora). Juntas, criaram um verdadeiro
laboratório de experimentação, onde estilos aparentemente díspares se chocam e
se combinam na mesma frequência. Num Porto onde os espaços alternativos
desaparecem e a vida noturna se torna previsível, a aposta em matinés e locais
não convencionais transforma-se numa afirmação política: manter o decibel vivo. E aviso: é
aconselhável levar protetores auriculares.
A
estreia, a 17 de janeiro, deixou claro por que a Chinfrim é urgente. Ao reunir
o “screamo verdinho” dos estreantes Prado
com o veterano Tren Go! Soundsystem,
celebrando 20 anos de projeto, o evento conseguiu algo raro: unir duas gerações
numa explosão sonora e pulsante. É a prova de que criar e ouvir música não tem
idade, e de que espaços onde passado e presente se cruzam são essenciais para a
cena underground.
Para
esta segunda edição, a Chinfrim alia-se à MONDO NEGRO, icónica loja de discos do Porto. O primeiro
piso do OPPIA transforma-se num
porto seguro para colecionadores e fãs de vinil, enquanto o segundo piso se
converte numa câmara de atrito onde a música explode. O cartaz é de cortar a
respiração: PRISÃO (SE), vindos
diretamente de Estocolmo, apresentam hardcore punk cru e direto, com letras em
português e uma ética DIY que os torna numa frente de choque impossível de
ignorar. SOMATIC ANXIETY mistura
black metal primitivo com ADN punk ao estilo Rudimentary Peni, apresentando Glass Prison, disco que mergulha na opressão social e
patriarcal. EGO DEATH CVLT
encerra a noite com drones hipnóticos e improvisação eletrónica, incluindo a
estreia de Sampaio (Madmess) em
guitarras dronantes, elevando a densidade sonora ao limite do suportável.
Masi do que um evento é também um ponto de encontro, um refúgio para quem acredita na intensidade da música ao vivo. No dia 14 de fevereiro, o Bonfim não vai apenas ouvir música: vai senti-la, com toda a força e energia que só a cena underground consegue oferecer.

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