No fim da tarde, quando muitos festivaleiros ainda começavam a chegar MIL, os Cortada subiram ao Sótão e transformaram aquele espaço íntimo numa explosão de pura intensidade sonora. O horário ingrato talvez tenha afastado parte do público que merecia estar lá, mas quem ficou assistiu a um concerto que não deixou espaço para distrações. Cada segundo foi consumido pelo som, pelo gesto, pelo impacto físico da banda.
O som foi cru, direto e carregado, como costuma ser, com guitarras cortantes que mantinham a tensão constante, apoiadas por uma bateria implacável que empurrava tudo para a frente. O baixo e o vocal completavam a equação, resultando num bloco sonoro compacto que parecia preencher cada canto do Sótão. Era impossível não sentir a força da música no corpo, a energia da banda dominando o espaço como uma onda constante.
O concerto dos Cortada nunca é sobre agradar ou suavizar, é sobre presença e intensidade, sobre transformar um espaço num organismo pulsante de ruído e movimento. Talvez por isso, a sensação de que a banda merecia mais público foi constante. Por outro lado, se não estivéssemos em trabalho nem iríamos reparar em quem não estava, pois a intensidade da banda prende-nos por completo e isso diz mais sobre a banda do que número de par de olhos.
Num festival que celebra a descoberta, os Cortada ofereceram um lembrete claro, eles são vivo são impactantes, concretos e exigentes. O Sótão, com as suas paredes apertadas, foi o cenário perfeito para um concerto que ficará na memória de quem esteve atento, uma experiência que, nas condições certas, poderia ter sido um dos momentos mais comentados do MIL, talvez numa hora diferente, porque eles têm e dão tudo para isso, Cortada, tal como outras bandas que temos mencionado neste festival, são das nossas bandas nacionais preferidas, têm potencial e talento para aquele sótão ao ao teto e ainda fazer fila de espera para entrar!



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