Punk, Loucura e Natal em Lisboa: The Parkinsons Christmas Punk & Roll na ADF

By VoxPop - dezembro 29, 2025


    Aquela noite foi como atravessar uma fronteira para outro mundo, o ar vibrava, carregado de expectativa e eletricidade, e cada luz que cruzava a sala parecia acender o coração da plateia. As paredes não apenas refletiam o som; elas ressonavam com a energia da música, fazendo o chão pulsar com cada batida de bateria.

    Baleia Baleia Baleia iniciou o ritual. Já vimos vários concertos deles e sabemos o quanto são intensos e loucos, ficámos contentes por serem uma das bandas convidadas. Desde o primeiro acorde, a sala foi envolvida por uma descarga intensa, que não foi imediata, mas alcançou rápido a alma dos presentes. A bateria seca e potente martelava o ritmo, enquanto o baixo cortante atravessava o corpo como um fio elétrico. As vozes gritadas do duo desenhavam paisagens sonoras que eram simultaneamente caóticas e precisas, cada canção uma explosão concentrada de adrenalina. As letras sempre provocativas e cantadas de forma provocativa, são perfeitas.

 O público começou por estar atento a ver o que viria dali, pois antes do concerto ouvimos algumas pessoas comentar que não conheciam a banda e que não sabiam o que esperar. Mas ao fim de poucos minutos, já estavam rendidos, havia braços no ar, saltos que batiam no chão, gritos que se misturavam com as vozes da banda. A banda desenhou uma corrente invisível que ligava todos naquele espaço. Baleia Baleia Baleia mostrou que, mesmo sendo apenas dois músicos, conseguem um tsunami de som e entrega, e todos na ADF eram parte desse movimento. Foi muito bom no intervalo entre os concertos ouvir pessoas do publico dizer que o concerto de Baleia Baleia embora num punk diferente de Parkinsons era bom e a elogiar a banda pela sua entrega em palco.

    Quando The Parkinsons subiram ao palco, como era de esperar a intensidade dobrou. Muitos estavam ali por eles e alguns já iam da segunda noite. Com riffs cortantes, baterias frenéticas e vocais roucos imediatamente dominaram o espaço, transformando a sala numa furacão de punk-rock. Pela primeira vez vimos o Afonso tão controlado, não houve explosões imprevisíveis de loucura que normalmente marcam a sua presença. Esse equilíbrio trouxe uma clareza vocal, sem sacrificar a precisão e, mais importante, sem sacrificar a pessoa que ele é. Do outro lado do palco, existe uma pessoa real, não um personagem de um jogo interativo, e cada momento de entrega deve respeitar isso. Adoramos conhecer este lado dele e provou que é possível serem tão bons e impactantes sem loucuras extremas.

    A prestação tornou-se ainda mais especial graças a uma constante invasão de palco por um amigo punk da banda, cuja energia e visual clássico trouxeram um toque extra de autenticidade e espírito punk à noite. Já é raro ver punks com aquela estética, tão carregada de atitude e história. Cada entrada sua acrescentava surpresa, irreverência e um charme selvagem que elevou a experiência, fazendo com que cada música se sentisse ainda mais viva e intensa. Adorámos cada momento. O Punk está vivo e aconselha-se.

    O público respondeu com total entrega: cantou, saltou e vibrou com cada canção, transformando a sala numa tempestade de energia. Cada riff, cada batida, cada grito transformava a ADF numa espécie de planeta vivo, respirando ao ritmo da música. Cada música dos Parkinsons parecia calibrada para maximizar o impacto, criando uma onda de adrenalina que atravessava o corpo e a alma, mantendo todos imersos na experiência do primeiro ao último acorde. Porque afinal de contas, estava quem realmente gosta e apoia e isso faz toda a diferença no publico. No final do concerto houve até uma “invasão” geral ao palco, onde todos dançaram e celebraram aquele momento tão especial.

    A proximidade do Natal deu à noite uma dimensão única. A data, normalmente associada a rotinas e reflexões, foi abraçada com loucura, música e pura energia. Cada acorde foi um antídoto à tradição, e cada salto, cada grito, um lembrete de que o espírito da época pode ser vivido de forma intensa, irreverente e libertadora. Para nós, o Natal foi celebrado em punk-rock e loucura pouco controlada, com cada momento preenchido pela música e pela adrenalina coletiva.

    Relatos da noite anterior, com Almendras e The Parkinsons, mostraram uma sala ainda mais cheia, mas esta noite apresentou-se muito bem composta, calorosa e cheia de energia. A ADF, com cada luz, cada som e cada detalhe pensado, transformou-se no palco perfeito para esta experiência, permitindo que todos se entregassem sem reservas.

    Ao final da noite, The Parkinsons Christmas Punk & Roll mostrou que uma noite de dois concertos pode ser muito mais do que música, foi também uma experiência física, social e emocional, um incêndio de adrenalina, emoção e música, que transforma a plateia numa extensão viva da banda. Quem esteve presente saiu com o corpo suado, o coração acelerado e a sensação de se estar mais leve emocionalmente, um momento intenso que ficará gravado na memória como um Natal vivido em punk, energia e loucura.

Não percas a nossa reportagem fotográfica de cada uma das bandas, brevemente no nosso instagra, fica atento.

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