Punk, Loucura e Natal em Lisboa: The Parkinsons Christmas Punk & Roll na ADF
Aquela noite foi como atravessar uma fronteira para outro
mundo, o ar vibrava, carregado de expectativa e eletricidade, e cada luz que
cruzava a sala parecia acender o coração da plateia. As paredes não apenas
refletiam o som; elas ressonavam
com a energia da música, fazendo o chão pulsar com cada batida
de bateria.
Baleia Baleia Baleia iniciou o ritual. Já vimos vários concertos deles e sabemos o quanto são intensos e loucos, ficámos contentes por serem uma das bandas convidadas. Desde o primeiro acorde, a sala foi envolvida por uma descarga intensa, que não foi imediata, mas alcançou rápido a alma dos presentes. A bateria seca e potente martelava o ritmo, enquanto o baixo cortante atravessava o corpo como um fio elétrico. As vozes gritadas do duo desenhavam paisagens sonoras que eram simultaneamente caóticas e precisas, cada canção uma explosão concentrada de adrenalina. As letras sempre provocativas e cantadas de forma provocativa, são perfeitas.
O público começou por estar atento a ver o que viria
dali, pois antes do concerto ouvimos algumas pessoas comentar que não conheciam
a banda e que não sabiam o que esperar. Mas ao fim de poucos minutos, já estavam
rendidos, havia braços no ar, saltos que batiam no chão, gritos que se
misturavam com as vozes da banda. A banda desenhou uma corrente invisível que
ligava todos naquele espaço. Baleia Baleia Baleia mostrou que, mesmo sendo apenas
dois músicos, conseguem um
tsunami de som e entrega, e todos na ADF eram parte desse
movimento. Foi muito bom no intervalo entre os concertos ouvir pessoas do
publico dizer que o concerto de Baleia Baleia embora num punk diferente de
Parkinsons era bom e a elogiar a banda pela sua entrega em palco.
Quando The
Parkinsons subiram ao palco, como era de esperar a intensidade
dobrou. Muitos estavam ali por eles e alguns já iam da segunda noite. Com riffs
cortantes, baterias frenéticas e vocais roucos imediatamente dominaram o
espaço, transformando a sala numa furacão
de punk-rock. Pela primeira vez vimos o Afonso tão controlado, não
houve explosões imprevisíveis de loucura que normalmente marcam a sua presença.
Esse equilíbrio trouxe uma
clareza vocal, sem sacrificar a precisão e, mais importante,
sem sacrificar a pessoa que ele
é. Do outro lado do palco, existe uma pessoa real, não um
personagem de um jogo interativo, e cada momento de entrega deve respeitar
isso. Adoramos conhecer este lado dele e provou que é possível serem tão bons e
impactantes sem loucuras extremas.
A prestação tornou-se ainda mais especial graças a uma
constante invasão de palco por
um amigo punk da banda, cuja energia e visual clássico
trouxeram um toque extra de autenticidade e espírito punk à noite. Já é raro
ver punks com aquela estética, tão carregada de atitude e história. Cada
entrada sua acrescentava surpresa, irreverência e um charme selvagem que elevou
a experiência, fazendo com que cada música se sentisse ainda mais viva e
intensa. Adorámos cada momento.
O Punk está vivo e aconselha-se.
O público respondeu com total entrega: cantou, saltou e
vibrou com cada canção, transformando a sala numa tempestade de energia. Cada
riff, cada batida, cada grito transformava a ADF numa espécie de planeta vivo, respirando
ao ritmo da música. Cada música dos Parkinsons parecia calibrada para maximizar
o impacto, criando uma onda de
adrenalina que atravessava o corpo e a alma, mantendo todos
imersos na experiência do primeiro ao último acorde. Porque afinal de contas,
estava quem realmente gosta e apoia e isso faz toda a diferença no publico. No
final do concerto houve até uma “invasão” geral ao palco, onde todos dançaram
e celebraram aquele momento tão especial.
A proximidade do Natal deu à noite uma dimensão única. A
data, normalmente associada a rotinas e reflexões, foi abraçada com loucura, música e pura energia.
Cada acorde foi um antídoto à tradição, e cada salto, cada grito, um lembrete
de que o espírito da época pode ser vivido de forma intensa, irreverente e
libertadora. Para nós, o Natal foi celebrado em punk-rock e loucura pouco controlada, com
cada momento preenchido pela música e pela adrenalina coletiva.
Relatos da noite anterior, com Almendras e The Parkinsons,
mostraram uma sala ainda mais cheia, mas esta noite apresentou-se muito bem composta, calorosa
e cheia de energia. A ADF, com cada luz, cada som e cada detalhe pensado,
transformou-se no palco perfeito para esta experiência, permitindo que todos se
entregassem sem reservas.
Ao final da noite, The
Parkinsons Christmas Punk & Roll mostrou que uma noite de dois concertos
pode ser muito mais do que música, foi também uma experiência física, social e emocional, um
incêndio de adrenalina, emoção e música, que transforma a plateia numa extensão
viva da banda. Quem esteve presente saiu com o corpo suado, o coração acelerado
e a sensação de se estar mais leve emocionalmente, um momento intenso que
ficará gravado na memória como um
Natal vivido em punk, energia e loucura.
Não percas a nossa reportagem fotográfica de cada uma das bandas, brevemente no nosso instagra, fica atento.








0 comments