Há com que uma magia cinematográfica na música de Bianca Steck, como se as suas canções fossem feitas de lugares atravessados, pensamentos que ficam por dizer e momentos que só ganham significado quando já passaram. Nascida em Barcelona, de ascendência britânica e atualmente a viver em Bruxelas, a cantora e compositora constrói um universo onde o indie pop e o folk se encontram em melodias delicadas, arranjos atmosféricos e uma escrita que procura significado nas pequenas coisas. A sua música não precisa de levantar a voz para deixar marca, aproximar-se devagar, como uma conversa que começa quase por acaso e acaba por ficar connosco durante muito mais tempo do que esperávamos.
A formação clássica em piano e clarinete está presente na forma como Bianca pensa as suas canções, dando-lhes uma sensibilidade particular para os detalhes, os silêncios e os espaços entre notas. Mas é na combinação dessa base com uma produção envolvente e uma escrita profundamente introspetiva que começa a ganhar forma a sua identidade. Existe uma delicadeza que atravessa o seu trabalho, sem que isso signifique que as canções se fechem sobre si mesmas. Pelo contrário, parecem feitas para acompanhar o movimento, observar o mundo e encontrar alguma familiaridade naquilo que, à primeira vista, parece distante.
Em 2025, Bianca lançou The Joy of Coincidences, o álbum de estreia pela editora Unday Records, um primeiro retrato de um projeto que encontrou na observação do quotidiano uma forma de olhar para dentro. O título sugere encontros inesperados, pequenos acasos e momentos que, sem aviso, acabam por alterar a maneira como vemos as coisas. É uma ideia que combina com a sua música, onde as emoções raramente surgem isoladas do ambiente que as rodeia. Ao longo do primeiro ano, o disco ultrapassou um milhão de reproduções no Spotify, recebeu atenção de publicações como Mondo Sonoro, Vanity Teen, HUMO, De Standaard e Knack, e chegou a várias estações de rádio europeias.
Entretanto, as canções começaram a viajar para lá do disco. Bianca acompanhou Hania Rani e Tom McRae em digressões, passando por salas como a KOKO, em Londres, a La Cigale, em Paris, o TivoliVredenburg, em Utrecht, e o Columbia Theater, em Berlim. São palcos que assinalam o crescimento de uma artista que tem encontrado no formato ao vivo uma forma de alargar o seu universo sem perder a proximidade que caracteriza as gravações. Entre concertos, showcases e apresentações próprias na Bélgica e em Espanha, o percurso tem vindo a desenhar uma presença cada vez mais internacional, com passagens pelo MMVV, em 2025, e estará no Festival MIL Lisboa.
O reconhecimento chegou também através da indústria musical, depois de vencer o concurso belga Sound Track, Bianca integrou a seleção 100 Artists to Watch, da IMPALA, em 2025, e foi nomeada para o prémio UPBEAT Best New Talent de 2026. Mais do que pontos de chegada, estas distinções acompanham um projeto que continua a crescer a partir de uma linguagem própria, feita de contenção, sensibilidade melódica e uma atenção particular à forma como as experiências individuais se transformam em canções.
O próximo capítulo começa a ganhar forma a 26 de fevereiro de 2027, data anunciada para o lançamento do seu segundo álbum, novamente pela Unday Records. A estreia será acompanhada por uma digressão internacional, com passagens previstas pela Polónia, Alemanha, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Espanha e Portugal, antes da temporada de festivais europeus. Ainda sem revelar os detalhes do novo trabalho, Bianca prepara-se para regressar com mais espaço para desenvolver um universo que tem vindo a encontrar ouvintes em diferentes geografias.
A música de Bianca Steck reside precisamente nessa capacidade de transformar o aparentemente banal em alguma coisa que merece ser escutada com atenção. Uma coincidência, um lugar, uma memória ou um instante podem ser suficientes para abrir uma canção e deixá-la seguir o seu próprio caminho. Entre a intimidade do primeiro álbum e a expectativa de um novo disco, Bianca continua a construir uma obra que não procura respostas imediatas, preferindo ficar algum tempo dentro das perguntas. E é nesse espaço, entre o que acontece e aquilo que fazemos dele, que as suas canções encontram lugar.
Como já mencionamos, ela atuará no Festival MIL Lisboa, dia 9 deste mês, e é mais uma das nossas sugestões a não perder.
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