Festival Emergente 2025 – Dia 2: Constelação de Som e Energia na BOTA
O segundo dia do Festival Emergente começou como uma brisa que se transforma em vento, prometendo descobertas e momentos de pura intensidade. A BOTA recebeu novamente o público como um espaço de criação contínua, onde cada som reverbera e se transforma.
Carolina Viana (Malva) abriu
o dia com uma presença delicada e intensa. A sua voz flutuava pelo ar,
conduzindo o público para o seu universo introspetivo. A intimidade do concerto
fez cada música sentir-se como um segredo partilhado e cada acorde como uma
ponte entre o público e o mundo sensível de Malva.
Markzs trouxe o hip-hop com
uma força própria. No palco penas ele e
os beats, mas conseguiu encher o palco de talento e presença. O público
presente, embora fosse maioritariamente de outros estilos, entregou-lhe apoio
total, reagindo com entusiasmo às suas rimas afiadas. Entre as suas letras,
destacou-se a referência a Basquiat, e era impossível não sorrir com o
trocadilho no ar: se no canvas Basquiat pintava, no palco Markzs rimava — e com
maestria. Cada verso mostrou que a simplicidade de meios visuais pode gerar
impacto máximo, e o concerto transformou-se num momento de conexão genuína
entre artista e audiência.
Roadkill trouxe algo mais
alternativo com uma delicadeza e intensidade encantadoras. As letras e a voz
doce da vocalista transformaram o concerto numa experiência maravilhosa de se
ver e sentir. Cada refrão era harmonia, tocava não só os ouvidos, mas também o
coração, fazendo o público vibrar de forma quase física, como se cada nota
fosse um sopro de uma emoção partilhada.
Lesma elevou a energia da tarde com
uma abordagem irreverente e original. As letras, muitas vezes sem sentido,
encaixavam-se perfeitamente na energia da banda, criando momentos inesperados e
eletrizantes. A baterista destacou-se com precisão e carisma, conduzindo o
ritmo com maestria e tornando cada canção ainda mais contagiante. O público
adorou a banda desde o primeiro instante, mostrando que Lesma era
definitivamente uma das mais aguardadas do dia, e cada aplauso ecoava a
satisfação de todos.
Mangualde entrou com energia que
parecia infinita. O vocalista irradiava força, e a sua presença preenchia o
palco com intensidade, mesmo nos momentos em que a baixista optava por espaços
mais contidos. A interação constante, a forma como
puxava pelo público e agradecia a presença das outras bandas, tornou o concerto
vibrante e caloroso, deixando uma marca indelével na noite.
Chat GRP fechou o dia com uma
performance memorável e cheia de energia. Foi a primeira vez que vimos a banda
com a nova aquisição no baixo, Micas,
e ficámos abismados com a sua presença em palco. Já a tínhamos visto noutra
banda, mas aqui mostrou algo totalmente diferente, acrescentando força e
dinamismo à sonoridade da banda, adorámos. O vocalista, Francisco, com a sua loucura
adorável e cativante, manteve constante interação com o público, criando
momentos únicos. Um dos pontos altos foi quando convidou para o palco Gil, uma criança que já
transpira rock, e foi impossível não sorrir ao vê-lo encarnar um mini
Francisco. Neste concerto, trocámos o refrão que representa a banda de “são
todos engenheiros menos eu” para “bang
bang, mãos ao ar, patifes”, espalhando ainda mais energia e
carinho por estes seres incríveis. Cada nota e cada gesto transmitiam
entusiasmo, humor e amizade, fazendo com que todos se sentissem parte da
constelação sonora que a banda construiu.
O segundo dia do Festival Emergente foi isto mesmo uma constelação sonora, cada
banda uma estrela que iluminou a BOTA com cores, energia e emoção únicas. Cada
nota, cada gesto e cada interação construíram momentos de pura intensidade,
criando memórias que continuam a vibrar muito depois de a música cessar.

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