Festival Emergente 2025 – Dia 2: Constelação de Som e Energia na BOTA

By VoxPop - janeiro 06, 2026


 O segundo dia do Festival Emergente começou como uma brisa que se transforma em vento, prometendo descobertas e momentos de pura intensidade. A BOTA recebeu novamente o público como um espaço de criação contínua, onde cada som reverbera e se transforma.

    Carolina Viana (Malva) abriu o dia com uma presença delicada e intensa. A sua voz flutuava pelo ar, conduzindo o público para o seu universo introspetivo. A intimidade do concerto fez cada música sentir-se como um segredo partilhado e cada acorde como uma ponte entre o público e o mundo sensível de Malva.

    Markzs trouxe o hip-hop com uma força própria.  No palco penas ele e os beats, mas conseguiu encher o palco de talento e presença. O público presente, embora fosse maioritariamente de outros estilos, entregou-lhe apoio total, reagindo com entusiasmo às suas rimas afiadas. Entre as suas letras, destacou-se a referência a Basquiat, e era impossível não sorrir com o trocadilho no ar: se no canvas Basquiat pintava, no palco Markzs rimava — e com maestria. Cada verso mostrou que a simplicidade de meios visuais pode gerar impacto máximo, e o concerto transformou-se num momento de conexão genuína entre artista e audiência.

    Roadkill trouxe algo mais alternativo com uma delicadeza e intensidade encantadoras. As letras e a voz doce da vocalista transformaram o concerto numa experiência maravilhosa de se ver e sentir. Cada refrão era harmonia, tocava não só os ouvidos, mas também o coração, fazendo o público vibrar de forma quase física, como se cada nota fosse um sopro de uma emoção partilhada.

    Lesma elevou a energia da tarde com uma abordagem irreverente e original. As letras, muitas vezes sem sentido, encaixavam-se perfeitamente na energia da banda, criando momentos inesperados e eletrizantes. A baterista destacou-se com precisão e carisma, conduzindo o ritmo com maestria e tornando cada canção ainda mais contagiante. O público adorou a banda desde o primeiro instante, mostrando que Lesma era definitivamente uma das mais aguardadas do dia, e cada aplauso ecoava a satisfação de todos.

    Mangualde entrou com energia que parecia infinita. O vocalista irradiava força, e a sua presença preenchia o palco com intensidade, mesmo nos momentos em que a baixista optava por espaços mais contidos. A interação constante, a forma como puxava pelo público e agradecia a presença das outras bandas, tornou o concerto vibrante e caloroso, deixando uma marca indelével na noite.

    Chat GRP fechou o dia com uma performance memorável e cheia de energia. Foi a primeira vez que vimos a banda com a nova aquisição no baixo, Micas, e ficámos abismados com a sua presença em palco. Já a tínhamos visto noutra banda, mas aqui mostrou algo totalmente diferente, acrescentando força e dinamismo à sonoridade da banda, adorámos. O vocalista, Francisco, com a sua loucura adorável e cativante, manteve constante interação com o público, criando momentos únicos. Um dos pontos altos foi quando convidou para o palco Gil, uma criança que já transpira rock, e foi impossível não sorrir ao vê-lo encarnar um mini Francisco. Neste concerto, trocámos o refrão que representa a banda de “são todos engenheiros menos eu” para “bang bang, mãos ao ar, patifes”, espalhando ainda mais energia e carinho por estes seres incríveis. Cada nota e cada gesto transmitiam entusiasmo, humor e amizade, fazendo com que todos se sentissem parte da constelação sonora que a banda construiu.

    O segundo dia do Festival Emergente foi isto mesmo uma constelação sonora, cada banda uma estrela que iluminou a BOTA com cores, energia e emoção únicas. Cada nota, cada gesto e cada interação construíram momentos de pura intensidade, criando memórias que continuam a vibrar muito depois de a música cessar.

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