Festival Emergente 2025 – Dia 1: Pulso e Fantasia na BOTA
A BOTA abriu as portas e naquela noite o tempo expandiu-se, o ar vibrava com cada acorde e batida, cada suspiro musical. Cada concerto foi uma maré própria, e todas levavam o público a flutuar entre o íntimo e o coletivo, entre o real e o imaginário.
Inóspita começou a jornada. A guitarra
desenhava corredores invisíveis no ar, cada nota suspendida, cada pausa pareceu
carregada de uma espécie de respiração coletiva. O público ouvia e sentia a
música, tornando-se parte da própria melodia, imerso numa experiência quase
táctil.
Quando RT‑FACT
subiu ao palco, a eletrônica pulsou como uma corrente elétrica. A sala inteira
moveu-se em uníssono: mãos, pés, corpos, todos conduzidos por ondas de som que
atravessavam o chão, subiam pelo peito e ecoavam no ar. Foi hipnótico, como uma
dança mecânica e humana ao mesmo tempo, unindo público e artista num só pulso.
Canalzero trouxe uma apresentação
memorável. O vocalista surgiu vestido com um robe transformando o
concerto num ritual teatral e surreal. Entre batidas densas e texturas sonoras
complexas, o robe ampliava cada movimento, fazendo da música algo visível,
sensível e quase palpável. Cada música ganhou outra dimensão visual, suspense e
beleza.
Quando a
noite chegou e Mokina começou o concerto de forma suave, deitada no
chão do palco, delicada, como que a dar tempo ao público de entrar no seu
universo. A cada momento, foi-se entregando ao seu mundo musical, libertando
notas, melodias e emoções que preencheram a sala de forma intensa e envolvente.
A sua presença cresceu com cada canção, transformando a timidez inicial numa
força artística que irradiava para todos os presentes.
MÃO
CABEÇA trouxe o
palco à vida com riffs de rock alternativo e presença magnética. As suas letras
fortes e carregadas de emoção tocaram profundamente o público, libertando
sentimentos e criando uma espécie de catarse coletiva vibrante. Risos,
suspiros, mãos no ar, cada canção conectava todos com a música e com as suas
próprias emoções, transformando a plateia num espaço de pura energia.
O dia
terminou com DIVÃ, cuja energia pós-punk elevou a noite a um clímax
contagiante. Impulsionaram a sala a um patamar já pré aquecido, cada olhar da
banda convidava o público a mergulhar na música, e todos responderam com
entrega e entusiasmo, prolongando a sensação de êxtase musical.
O
primeiro dia do Festival Emergente foi um ritual de estilos diferentes,
formando uma tapeçaria de sons, luzes, movimentos e surpresas, como o robe
de Canalzero, a entrega de Mokina ao seu mundo interior, ou a catarse emocional
de MÃO CABEÇA, que transformaram a BOTA numa espécie de um único organismo
vivo. Cada banda, cada momento e cada detalhe ficaram gravados: som, luz,
respiração e memória que continuam a pulsar com alegria e intensidade.

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