Festival Emergente 2025 – Dia 1: Pulso e Fantasia na BOTA

By VoxPop - janeiro 05, 2026

 

A BOTA abriu as portas e naquela noite o tempo expandiu-se, o ar vibrava com cada acorde e batida, cada suspiro musical. Cada concerto foi uma maré própria, e todas levavam o público a flutuar entre o íntimo e o coletivo, entre o real e o imaginário.

Inóspita começou a jornada. A guitarra desenhava corredores invisíveis no ar, cada nota suspendida, cada pausa pareceu carregada de uma espécie de respiração coletiva. O público ouvia e sentia a música, tornando-se parte da própria melodia, imerso numa experiência quase táctil.

Quando RT‑FACT subiu ao palco, a eletrônica pulsou como uma corrente elétrica. A sala inteira moveu-se em uníssono: mãos, pés, corpos, todos conduzidos por ondas de som que atravessavam o chão, subiam pelo peito e ecoavam no ar. Foi hipnótico, como uma dança mecânica e humana ao mesmo tempo, unindo público e artista num só pulso.

Canalzero trouxe uma apresentação memorável. O vocalista surgiu vestido com um robe transformando o concerto num ritual teatral e surreal. Entre batidas densas e texturas sonoras complexas, o robe ampliava cada movimento, fazendo da música algo visível, sensível e quase palpável. Cada música ganhou outra dimensão visual, suspense e beleza.

Quando a noite chegou e Mokina começou o concerto de forma suave, deitada no chão do palco, delicada, como que a dar tempo ao público de entrar no seu universo. A cada momento, foi-se entregando ao seu mundo musical, libertando notas, melodias e emoções que preencheram a sala de forma intensa e envolvente. A sua presença cresceu com cada canção, transformando a timidez inicial numa força artística que irradiava para todos os presentes.

MÃO CABEÇA trouxe o palco à vida com riffs de rock alternativo e presença magnética. As suas letras fortes e carregadas de emoção tocaram profundamente o público, libertando sentimentos e criando uma espécie de catarse coletiva vibrante. Risos, suspiros, mãos no ar, cada canção conectava todos com a música e com as suas próprias emoções, transformando a plateia num espaço de pura energia.

O dia terminou com DIVÃ, cuja energia pós-punk elevou a noite a um clímax contagiante. Impulsionaram a sala a um patamar já pré aquecido, cada olhar da banda convidava o público a mergulhar na música, e todos responderam com entrega e entusiasmo, prolongando a sensação de êxtase musical.

O primeiro dia do Festival Emergente foi um ritual de estilos diferentes, formando uma tapeçaria de sons, luzes, movimentos e surpresas, como o robe de Canalzero, a entrega de Mokina ao seu mundo interior, ou a catarse emocional de MÃO CABEÇA, que transformaram a BOTA numa espécie de um único organismo vivo. Cada banda, cada momento e cada detalhe ficaram gravados: som, luz, respiração e memória que continuam a pulsar com alegria e intensidade.

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