The Growlers renascem das cinzas: Brooks Nielsen traz o “Funk” de volta
Depois de cinco anos de silêncio e uma reputação em ruínas, The Growlers estão de regresso. O nome que definiu o beach goth, com o cruzamento improvável entre surf rock, psicadelismo e decadência californiana, volta a soar em 2025, agora pelas mãos do seu fundador e vocalista Brooks Nielsen.
Em setembro lançaram o EP “Feel My Funk”, com quatro músicas que marcou não
apenas um retorno musical, mas um renascimento pessoal e artístico, ao qual se
sucedeu “Crisis” lançado esta semana com duas músicas.
Do paraíso ao colapso
Durante mais de uma década, Brooks
Nielsen e Matt Taylor foram a dupla criativa que deu forma à estética solar e
decadente dos Growlers. Discos como Hung at Heart (2013) e City Club (2016)
cimentaram a banda como uma das vozes mais singulares do rock alternativo
americano.
Mas em 2020 tudo ruiu. No meio do
escândalo que envolveu a Burger Records, o grupo foi atingido por acusações de
má conduta e comportamento abusivo em tour. Taylor afastou-se “temporariamente”,
e o silêncio tomou conta da banda. Para muitos fãs, os Growlers tinham acabado,
mais uma história trágica de uma banda promissora que implodiu sob o peso do
próprio mito.
Brooks Nielsen: o sobrevivente
Brooks Nielsen, no entanto, recusou
desaparecer. Reinventou-se a solo com One Match Left (2022) e, mais tarde, com
Grain of Dirt (2025), explorando sonoridades mais limpas, letras introspectivas
e uma estética que mantinha o espírito Growlers, mas com nova maturidade.
Sempre com a esposa do seu lado, até no marketing dos seus trabalhos e por tras
das redes sociais, talvez para mostrar que as acusações anteriormente feitas,
não faziam sentido. Melissa tornou-se no seu grande apoio em todos os sentidos.
Nos bastidores, algo curioso
acontecia: o nome The Growlers voltava a surgir nas redes e no site oficial,
agora misturado à identidade solo do vocalista. Aos poucos, ficava claro que
Brooks planeava reerguer a marca e redefinir o que ela significava.
O título não engana, pois há groove, há ritmo, há cor. A música que dá titulo ao album, “Feel My Funk”, soa como uma celebração de liberdade e ironia. “Spider-Eyed”, “Don’t Care” e “Tried It All Too Soon” seguem a mesma vibração, melodias soalheiras com uma melancolia escondida por trás do sorriso.
Mas é “Crisis”, lançada a 24 de
outubro, que define o tom da nova era. Com uma batida tensa e versos como
“Living in a crisis, still smiling through the smoke”, Nielsen confronta o caos
pessoal e o passado conturbado de frente. É confissão e catarse, tudo em três
minutos de refrão pegajoso.
Será uma nova banda, com o mesmo espírito?
A formação atual é fluida e, para
alguns, polémica, pois oficialmente, só Brooks Nielsen mantém o nome dos
Growlers.
Acompanhado por músicos da sua banda solo, como Richard Gowen (bateria) e Kyle
Mullarky (baixo e produção), o cantor reconstruiu o som da banda num tom mais
funkado e cinematográfico. Então será que Brooks Nielson a solo agora é o
coletivo The Growlers, ou o que restou de The Growlers é o Brooks que vai
manter o antigo coletivo? Ainda não temos isso definido, porém uma coisa é
certa, Brooks é o único membro da banda The Growlers e os músicos que o acompanham
são os seus músicos de tour a Solo.
Para alguns fãs, sem Matt Taylor não
existem “verdadeiros” Growlers. Para outros, Brooks Nielsen sempre foi a alma
da banda.
De um lado, a nostalgia da formação original e do outro, o entusiasmo de ver o
nome renascer com novas ideias e sem medo de mudar.
O resultado é surpreendentemente
fresco, “Feel My Funk” soa menos garage e
mais a groove. Há um toque de soul e uma produção moderna que lembra a
transição de Arctic Monkeys em Tranquility Base Hotel & Casino: arriscado,
elegante e com personalidade, não a nível de estilos musicais serem o mesmo,
mas sim a transição em si.
É inegável que “Feel My Funk” e “Crisis”
mostram um artista em plena reconstrução. Brooks parece ter feito as pazes com
o passado, sem negar as feridas, mas transformando-as em canções dançáveis e
cheias de vida. Afinal de contas dizem que quando se está ferido que se escrevem
as melhores canções.


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