The Growlers renascem das cinzas: Brooks Nielsen traz o “Funk” de volta

By VoxPop - outubro 26, 2025

 

    Depois de cinco anos de silêncio e uma reputação em ruínas, The Growlers estão de regresso. O nome que definiu o beach goth, com o cruzamento improvável entre surf rock, psicadelismo e decadência californiana, volta a soar em 2025, agora pelas mãos do seu fundador e vocalista Brooks Nielsen.

    Em setembro lançaram o EP “Feel My Funk”, com quatro músicas que marcou não apenas um retorno musical, mas um renascimento pessoal e artístico, ao qual se sucedeu “Crisis” lançado esta semana com duas músicas.

 Do paraíso ao colapso

    Durante mais de uma década, Brooks Nielsen e Matt Taylor foram a dupla criativa que deu forma à estética solar e decadente dos Growlers. Discos como Hung at Heart (2013) e City Club (2016) cimentaram a banda como uma das vozes mais singulares do rock alternativo americano.

Mas em 2020 tudo ruiu. No meio do escândalo que envolveu a Burger Records, o grupo foi atingido por acusações de má conduta e comportamento abusivo em tour. Taylor afastou-se “temporariamente”, e o silêncio tomou conta da banda. Para muitos fãs, os Growlers tinham acabado, mais uma história trágica de uma banda promissora que implodiu sob o peso do próprio mito.

 Brooks Nielsen: o sobrevivente

    Brooks Nielsen, no entanto, recusou desaparecer. Reinventou-se a solo com One Match Left (2022) e, mais tarde, com Grain of Dirt (2025), explorando sonoridades mais limpas, letras introspectivas e uma estética que mantinha o espírito Growlers, mas com nova maturidade. Sempre com a esposa do seu lado, até no marketing dos seus trabalhos e por tras das redes sociais, talvez para mostrar que as acusações anteriormente feitas, não faziam sentido. Melissa tornou-se no seu grande apoio em todos os sentidos.

    Nos bastidores, algo curioso acontecia: o nome The Growlers voltava a surgir nas redes e no site oficial, agora misturado à identidade solo do vocalista. Aos poucos, ficava claro que Brooks planeava reerguer a marca e redefinir o que ela significava.

    Em setembro de 2025, o improvável aconteceu. The Growlers lançaram Feel My Funk, um EP com quatro músicas que soam como um recomeço ou, talvez, uma reinvenção total.

    O título não engana, pois há groove, há ritmo, há cor. A música que dá titulo ao album, “Feel My Funk”, soa como uma celebração de liberdade e ironia. “Spider-Eyed”, “Don’t Care” e “Tried It All Too Soon” seguem a mesma vibração, melodias soalheiras com uma melancolia escondida por trás do sorriso.

    Mas é “Crisis”, lançada a 24 de outubro, que define o tom da nova era. Com uma batida tensa e versos como “Living in a crisis, still smiling through the smoke”, Nielsen confronta o caos pessoal e o passado conturbado de frente. É confissão e catarse, tudo em três minutos de refrão pegajoso.

Será uma nova banda, com o mesmo espírito?

    A formação atual é fluida e, para alguns, polémica, pois oficialmente, só Brooks Nielsen mantém o nome dos Growlers.
Acompanhado por músicos da sua banda solo, como Richard Gowen (bateria) e Kyle Mullarky (baixo e produção), o cantor reconstruiu o som da banda num tom mais funkado e cinematográfico. Então será que Brooks Nielson a solo agora é o coletivo The Growlers, ou o que restou de The Growlers é o Brooks que vai manter o antigo coletivo? Ainda não temos isso definido, porém uma coisa é certa, Brooks é o único membro da banda The Growlers e os músicos que o acompanham são os seus músicos de tour a Solo.

    Para alguns fãs, sem Matt Taylor não existem “verdadeiros” Growlers. Para outros, Brooks Nielsen sempre foi a alma da banda.
De um lado, a nostalgia da formação original e do outro, o entusiasmo de ver o nome renascer com novas ideias e sem medo de mudar.

    O resultado é surpreendentemente fresco,  “Feel My Funk” soa menos garage e mais a groove. Há um toque de soul e uma produção moderna que lembra a transição de Arctic Monkeys em Tranquility Base Hotel & Casino: arriscado, elegante e com personalidade, não a nível de estilos musicais serem o mesmo, mas sim a transição em si.

    É inegável que “Feel My Funk” e “Crisis” mostram um artista em plena reconstrução. Brooks parece ter feito as pazes com o passado, sem negar as feridas, mas transformando-as em canções dançáveis e cheias de vida. Afinal de contas dizem que quando se está ferido que se escrevem as melhores canções.

 

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