Sol da Caparica Dia 2: a noite em que milhares cantaram a mesma canção
No segundo dia do Sol da Caparica 2025, essa diferença tornou-se particularmente evidente. Ao longo da tarde e da noite, o recinto foi-se enchendo de famílias, grupos de amigos e casais que procuravam algo diferente da energia explosiva que dominara a abertura do festival. O cartaz prometia emoção, melodias familiares e refrões capazes de atravessar gerações. Cumpriu.
Bia Caboz inaugurou a jornada com leveza, aproveitando a luz dourada do final da tarde para apresentar um concerto marcado pela proximidade e pela frescura das suas canções. O público ainda procurava os melhores lugares, circulava entre bancas e esplanadas, mas já começava a formar-se a atmosfera que definiria toda a noite.
Matias Damásio trouxe depois o primeiro grande momento de comunhão. As suas baladas continuam a ocupar um lugar especial na música lusófona e o festival transformou-se, durante largos minutos, numa gigantesca sessão de karaoke sentimental. Casais abraçados, telemóveis iluminados e milhares de vozes acompanharam temas que há muito ultrapassaram a dimensão de simples canções para se tornarem parte da memória coletiva.
A temperatura subiu quando os brasileiros Menos é Mais entraram em palco. O pagode encontrou terreno fértil na Caparica. O recinto ganhou movimento, surgiram rodas de dança improvisadas e os refrões viajaram rapidamente de uma ponta à outra do festival. Num verão cada vez mais influenciado pela música brasileira, o grupo confirmou a ligação crescente entre Portugal e este fenómeno musical.
Mas o verdadeiro epicentro da noite surgiu com Nininho Vaz Maia. Muito antes da sua entrada, já era difícil circular junto à frente do palco. À medida que a hora se aproximava, o recinto transformou-se numa massa humana compacta, atraída por um artista que se tornou um fenómeno singular da música portuguesa contemporânea. Quando Nininho apareceu, o festival atingiu uma dimensão diferente.
O espaço encontrava-se completamente cheio. Das primeiras filas até às zonas mais afastadas, milhares de pessoas procuravam um lugar para assistir ao concerto mais aguardado da noite. Cada canção era recebida como um acontecimento. Cada refrão regressava ao palco multiplicado por milhares de vozes. Durante mais de uma hora, a distinção entre artista e público pareceu desaparecer.
O sucesso de Nininho Vaz Maia ajuda a explicar uma transformação importante da música portuguesa nos últimos anos. As influências ciganas, flamencas, pop e urbanas encontram-se na sua obra sem necessidade de fronteiras ou rótulos. O público responde da mesma forma: diverso, transversal e unido pela emoção que as canções despertam.
A responsabilidade de fechar a noite pertenceu a Richie Campbell. Poucos artistas possuem um catálogo tão associado aos verões portugueses e isso sentiu-se desde os primeiros acordes. Entre reggae, dancehall, afrobeat e pop, Richie conduziu o festival até à madrugada com a naturalidade de quem conhece perfeitamente o território que pisa. O público respondeu com a mesma energia, prolongando a celebração até ao último tema.
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