Vodafone Paredes de Coura 2026: Um primeiro dia entre o Eclipse e a Madrugada
A tarde começou a ganhar vida no Taboão com Miramar, às 16h45, no Coura Sem Paredes. Ainda com o recinto a encher e o calor do dia presente, o duo abriu a programação num ambiente que permitia ao público entrar lentamente no espírito de Paredes de Coura. Meia hora depois, às 17h25, Westside Cowboy levaram as suas guitarras para o palco principal, começando a transformar a chegada dos festivaleiros numa verdadeira tarde de música. O primeiro dia ainda estava a começar, mas o recinto já começava a ganhar aquele movimento constante de quem vai de palco em palco, entre concertos, encontros e descobertas.
Às 18h25, foi a vez de Greg Freeman no Coura Sem Paredes, num registo mais próximo e intimista. Uma hora depois, o palco principal recebeu First Breath After Coma + Salvador Sobral, num dos momentos mais particulares de todo o dia. A atuação de A Residência coincidiu com o eclipse solar parcial, fazendo com que a música e o céu acabassem por dividir a atenção do público. Enquanto a luz se transformava sobre o Taboão, os ecrãs transmitiam o fenómeno e milhares de pessoas acompanhavam aquele momento raro. O eclipse não interrompeu o festival; tornou-se parte dele, acrescentando uma dimensão inesperada a uma atuação que já tinha uma natureza especial.
Com o fim do eclipse e a chegada da noite, o ambiente começou a mudar. Às 20h15, Horsegirl assumiram o Coura Sem Paredes, enquanto no palco principal CMAT preparava uma das mudanças de energia mais evidentes da tarde.
Às 21h00, a artista irlandesa trouxe consigo uma presença de palco exuberante, misturando pop, country e uma boa dose de teatralidade. O público já estava mais concentrado no recinto e a atmosfera começava a deixar para trás a tranquilidade das primeiras horas.
Às 22h05, os Capitão Fausto levaram a sua música para o Coura Sem Paredes, mantendo uma forte presença portuguesa numa noite dominada por diferentes propostas internacionais. Uma hora depois, às 23h05, chegaram as Wet Leg ao palco principal. A banda britânica encontrou um público já completamente envolvido e trouxe uma energia que encaixava naturalmente no ambiente do festival. As guitarras, o humor e a atitude da banda fizeram o recinto avançar definitivamente para a noite, com cada vez menos espaço entre quem tinha vindo especificamente para as ver e quem simplesmente acabou por ficar.
Quando a meia-noite passou, o festival entrou numa fase mais escura. Às 00h20, The Horrors ocuparam o Coura Sem Paredes, criando um contraste evidente com a energia das Wet Leg. O seu universo mais sombrio e atmosférico encontrou um palco já mergulhado na noite, oferecendo uma experiência diferente para quem preferia continuar a descobrir música fora do palco principal. Entretanto, no recinto, o ambiente começava a assumir aquele estado típico das madrugadas de festival: já ninguém parecia preocupado com as horas e a ideia de ir embora começava a ser adiada sucessivamente.
À 01h25, Kneecap entraram no palco principal e fizeram a noite ganhar novamente velocidade. A intensidade do trio irlandês encontrou um público preparado para a madrugada, criando um dos momentos de maior energia do primeiro dia. Depois de uma tarde que tinha começado de forma gradual e de uma noite que passara pelo ambiente contemplativo do eclipse, a diferença era evidente: agora o Taboão estava completamente acordado.
Mas o primeiro dia ainda estava longe de terminar. Às 02h40, Getdown Services assumiram o Coura Sem Paredes, mantendo a música viva quando grande parte dos festivais já estaria a caminhar para o fim. E às 04h00, quando a madrugada já se aproximava da manhã, University fecharam a programação. O último concerto marcou o verdadeiro fim de um dia que tinha começado mais de onze horas antes, quando os primeiros sons de Miramar começaram a surgir no recinto.
Quando University terminaram, às quatro da manhã, já não havia propriamente uma linha entre a noite e o dia. Restavam o cansaço, algumas luzes ainda acesas, vozes perdidas pelo recinto e aquela sensação estranha de que se tinha vivido muito mais do que cabia num único dia. O Taboão tinha passado da calma da tarde à intensidade da madrugada, com um eclipse pelo meio, e agora começava finalmente a respirar depois de horas sem parar. O primeiro dia tinha chegado ao fim, mas em Paredes de Coura a noite nunca parece realmente acabada, fica fica à espera do dia seguinte.
Texto: Sofia Reis
Fotografias: Hugo Lima









0 comments