MEUTE no Vodafone Paredes de Coura: Quando a eletrónica ganhou vida no meio de Coura
Houve qualquer coisa de especial na presença dos MEUTE no Vodafone Paredes de Coura. A banda alemã chegou ao palco Vodafone para transformar a eletrónica em algo completamente físico, orgânico e impossível de ignorar. Com metais, percussão e uma energia aparentemente inesgotável, os MEUTE fizeram aquilo que sabem fazer melhor: pegar em música eletrónica e levá-la para o território de uma verdadeira banda de rua.
O concerto tenha começado muito antes da chegada ao palco. Durante a tarde, os MEUTE já tinham aparecido no recinto para uma atuação inesperada no meio da relva, rodeados pelo público e sem a distância habitual entre palco e plateia. Foi um daqueles momentos espontâneos que fazem um festival ganhar outra dimensão. Quem estava por ali acabou por se aproximar, formando rapidamente uma roda à volta da banda, enquanto os metais e a percussão faziam o resto.
Ver os MEUTE na relva e, horas depois, no palco principal, permitiu perceber duas faces diferentes da mesma banda. Se na atuação improvisada havia proximidade e a sensação de estarmos perante uma verdadeira banda de rua, no palco Vodafone essa energia ganhou uma escala muito maior.
Quando começaram a tocar, quem não os conhecia percebeu rapidamente que não estava perante uma simples atuação de música eletrónica. Não havia DJs escondidos atrás de uma mesa. Havia músicos a tocar, a suar e a mover-se em palco, com trompetes, saxofones, trombones e percussão a criarem uma parede sonora que atravessava o recinto, era impossível não dançar.
A música dos MEUTE vive precisamente dessa transformação. Tem a base e a pulsação da eletrónica, mas ganha outra dimensão quando é interpretada por uma formação inteira de músicos. Os beats continuam presentes, mas são os instrumentos tocados em palco que dão ao som uma energia diferente, mais humana e imprevisível.
O público respondeu desde os primeiros momentos, o ritmo puxava pelo corpo e rapidamente o recinto transformou-se numa enorme pista de dança. Cada entrada dos metais acrescentava uma nova camada e a percussão mantinha tudo em movimento. A banda funcionava com uma precisão impressionante, mas sem perder a espontaneidade que torna cada atuação tão especial.
Durante o concerto, falámos também com um grupo de portugueses que vive na Alemanha e que estava em Coura precisamente por causa dos MEUTE. Foi daqueles encontros que nos ficam. Gostamos particularmente de encontrar pessoas nos concertos que estão ali por uma banda específica, que conhecem o que estão a ver e que vieram de propósito para viver aquele momento. Há qualquer coisa de especial nessa dedicação.
E a relação com o público não terminou em Coura, poucos dias depois, os MEUTE voltaram a encontrar-se com as pessoas em Portugal, levando a sua música gratuitamente para a rua, primeiro no Porto e depois em Lisboa. Mais uma vez, a banda escolheu aproximar-se das pessoas e levar o concerto para fora dos espaços tradicionais.
Essa escolha diz muito sobre aquilo que os MEUTE são. A música deles parece pedir precisamente esse contacto direto. Funciona num festival, numa sala, numa rua ou no meio da relva. Onde houver espaço para juntar pessoas, tocar e dançar, existe espaço para os MEUTE.
Em Coura, essa capacidade ficou particularmente evidente porque tivemos a oportunidade de os ver em dois contextos completamente diferentes no mesmo dia. Primeiro, próximos do público, na relva. Depois, diante de milhares de pessoas, no palco Vodafone.
Os MEUTE são uma banda que não precisa de paredes para criar um concerto. Pode ser na relva, num palco ou no meio da rua. Basta juntar metais, percussão, músicos com um enorme talento e capacidade para os fazer soar assim e um público com vontade de dançar.

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