Na noite de 10 de janeiro, a Casa Capitão, em Lisboa, foi palco de um momento especial para a música pesada nacional. Pela primeira vez, o Duro de Roer realizou-se numa sala de maior dimensão, provando que o projeto está pronto para crescer sem perder identidade. Mesmo com Marvila repleta de eventos gratuitos, com várias bandas a tocar em diferentes bares, o Rés do Chão esteve cheio, vibrante e completamente entregue do primeiro ao último acorde.
A noite abriu com
os Roy Batty, chamados a assumir
o lugar de Capela Mortuária. O som direto e intenso encontrou um público
pronto, com o hardcore dancing e o
two-step a surgir logo nos primeiros minutos, numa coreografia caótica e
coletiva que marcou o tom do que estava para vir. Seguiram-se os Last Chance, que aprofundaram a
dimensão física do concerto com um mosh constante e uma ligação natural entre
banda e público.
Com Above The Hate, sentiu-se um clima de
celebração. O regresso da banda foi vivido como um reencontro, com temas
partilhados em uníssono e uma energia emocional que atravessou toda a sala. A
presença internacional de Who I Am
trouxe uma nova textura à noite, com um metalcore sólido e confiante, recebido
com entusiasmo e integração imediata por um público atento e participativo.
A intensidade
voltou a subir com Fear The Lord,
num concerto que elevou a entrega a outro patamar. O palco deixou de ser apenas
um espaço de apresentação e passou a ser um ponto de encontro, refletindo um
dos aspetos mais marcantes da noite: a interação
constante não só entre bandas e público, mas também entre as próprias bandas.
Vocalistas juntaram-se a outros projetos em palco, houve gestos de cumplicidade
e partilha, sinais claros de uma cena unida por algo maior do que qualquer
diferença.
Coube aos PUSH! encerrar a noite, e fizeram-no
com a confiança de quem vive um momento forte. A apresentação de temas de Plowing
Ahead teve impacto, peso e celebração, funcionando como culminar perfeito
de uma noite longa, intensa e profundamente coletiva.
Rita Duro a força por trás do Duro de Roer, este no centro de tudo, responsável pela organização do Duro de Roer. Ao longo da noite, o seu nome foi repetidamente mencionado em palco, num gesto espontâneo e sentido por parte das bandas. Numa indústria ainda marcadamente masculina, é notável ver uma mulher construir, sustentar e fazer crescer um evento com esta dimensão, identidade e respeito. Os agradecimentos ouvidos foram mais do que formais: foram o reflexo de um reconhecimento genuíno e de um orgulho partilhado.
Numa noite de união, música e entrega o Duro de Roer mostrou que pode crescer, ocupar novos espaços e manter intacta a sua essência. Mais do que um alinhamento de concertos, foi um retrato vivo de uma comunidade em movimento, onde a música, a união e a entrega falam mais alto. Numa única noite, Lisboa viu o hardcore não apenas resistir, mas afirmar-se com força, maturidade e coração.
Para veres as reportagens fotográficas e
vídeos vai ao nosso instagram.






0 comments