Hetta trazem com “Acetate” um novo capítulo incisivo no pós-hardcore português
Com “Acetate” os Hetta dão o grande passo para se afirmarem como uma das bandas mais relevantes da nova vaga de música pesada em Portugal. O disco, marcado por uma urgência feroz e uma precisão incomum, apresenta o grupo num ponto de maturidade surpreendente para um projeto ainda jovem, capaz de equilibrar intensidade emocional e rigor instrumental sem sacrificar a identidade crua que os distingue.
Ao longo do álbum, a banda demonstra que
não está interessada em seguir fórmulas previsíveis dentro do hardcore e do
screamo. Em vez disso, constrói um espaço sonoro onde caos e estrutura convivem
em tensão permanente. As guitarras, ora cortantes, ora atmosféricas, desenham
paisagens de desconforto calculado; a secção rítmica, sólida e impiedosa,
funciona como o coração acelerado que impulsiona todo o disco; e a voz de Alex
Domingos, sempre no limiar entre vulnerabilidade e explosão, guia o ouvinte
através de um território emocionalmente denso, turbulento mas ao mesmo tempo catártico.
O single “Twin Scissors”, já revelado antes
do lançamento, funciona como cartão de visita desta nova era da banda: feroz,
incisivo e emocionalmente carregado. É também um exemplo claro da abordagem
mais consciente presente em “Acetate”. As músicas não dependem apenas da intensidade, mas da
forma como essa intensidade é moldada. Mesmo nos momentos mais agressivos,
sente-se uma intenção clara, quase coreográfica, que coloca o álbum acima da
reação instintiva típica do género.
Um dos pontos fortes do disco é a produção,
que realça a dinâmica sem domesticar a energia do grupo. Há espaço entre os
instrumentos, há contraste, silêncio e explosão, e há um cuidado evidente em
preservar a honestidade sonora da banda, não escondendo imperfeições, mas
transformando-as em caráter.
Tematicamente “Acetate”
Se os Hetta já eram conhecidos pela
devastadora energia ao vivo, “Acetate” é o sinal de que conseguem transportar essa força
para estúdio sem perder impacto. Mais do que um simples lançamento, o álbum
funciona como uma espécie de manifesto ou de uma prova de que o hardcore
português pode ser tão inovador, emotivo, impactante e poderoso, como qualquer
cena internacional e nós nem gostamos de falar de música com este rótulo,
porque para nós, música é música a sua nacionalidade tanto faz, mas
infelizmente ainda há por aí muita gente que valoriza bastante esse rótulo.
Queremos com tudo isto dizer que “Acetate” não é apenas um disco promissor, ou mais um disco
novo, é um dos trabalhos mais urgentes e genuínos surgidos recentemente no
panorama nacional. Uma afirmação poderosa de uma banda que, ao que tudo indica,
está apenas a começar.
Vais poder ouvi-lo a partir de amanhã em todas as plataformas ou melhor ainda compra-lo à banda.
Deixamos-te aqui a agenda de concertos para o lançamento do álbum e temos a certeza que não vais querer perder, vê onde estás mais perto se de Lisboa na Casa Capitão dia 4 Dezembro, pelas 20:00, com concertos de Cave Story, Reia Cibele e Prado, ou Porto no Espaço Lovers & Lollypops dia 18 dezembro às 19:00 com concerto de Idle Hand ou Cadima na Lucia-Lima dia 19 dezembro às 22:00.
Fotografias: Francisco Fidalgo



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